Ato X - O Amigo
Amizade é uma via de mão dupla, e para compreender qualquer criatura pensante julga-se necessário conhecer o seu eu mais sórdido, ou seja, estar mais por dentro que fio dental de prostituta, aturar todo tipo de desabafo (porra use ao menos uma pastilha walda!) minhas narinas estão sensíveis, acho que a renite esta piorando com o tempo. É, estou me tornando balzaquiano!
Não lembro ao certo o que a velha Elvira resmungou na despedida, ou melhor, na patética tentativa de fuga Afrânio se esquecera de apanhar meus pertences, mas amigo, digo amigo tenta compensar com uma rodada de conhaque e meia dúzia de pães de queijo com goiabada (a única coisa não embebida a óleo, tragável naquela pocilga). Paramos em um pé sujo de beira de estrada, próximo a dick’s house.
Pior que estar semi borracho em um lugar inóspito, é ser obrigado a aturar o “amigo” gaguejar melancolicamente boa parte de suas frustrações, achar que vai curar as metástases do seu ser ao colocar a mão em seu ombro e dizer: você é meu irmão, me entende como ninguém. Por que todo ser alcoolizado fica carente? Irmão uma merda, já basta o meu do meio, e outra a diferença entre aturar um irmão e um amigo é que o primeiro você não escolhe e o segundo só enche a boca para pronunciar o adjetivo quando realmente esta em estado deplorável.
Sensação térmica (menos cinco graus na escala Celsius), como de prever, tudo pode piorar, como diria meu caro engenheiro aeroespacial E.A.M., como não tenho e nem pretendo tirar uma C.N.H., e meu querido “amiguinho” estava pra lá de marrakech, procuramos um lugar para pernoitar. Impossível dormir no quarto vip daquela espelunca, cama de campanha, coberta seca poço, e duas dúzias de baratas disputando para ficar comigo.
Joguei Afrânio em uma chuveirada de quinze minutos, pedi para a criatura, o atendendo do balcão, sorridente (apenas com dois centroavantes), dose dupla de café preto sem açúcar, meia fatia de limão e um punhado de sal. Quase em choque anafilático depois do combo levanta defunto, meu amigo se recompôs, todavia o pior ainda estava por vir.
Meus lábios rachando, nariz escorrendo, Afrânio arrotando goiabada e assobiando (blowing in the wind - dylan) ás três e dezessete da manhã! - ximbica enguiçada em uma estrada de terra no meio do nada, só falta agora aparecer aquele cachorro cor-de-rosa, como é mesmo o nome? ... Isto aquele dos dentes cariados que vive com uma velha gorda.


Melhor que a imagem do Pateta foi a descrição da espelunca!!!
ResponderExcluirE sabe que nunca comi pão de queijo com goiabada?!
Como é mesmo o nome daquela flor? MARGARIDA?!
xD
Bjo.
Hahahahaha
ResponderExcluircara, (ainda) não li desde o posto do dia 30...
mas já me divirto a bessa lendo as crônicas!
mto bom mesmo, nossa querida Pepé ia curtir.
hahaha
aqueeele abraço!
Oi...
ResponderExcluirDescobri o seu blog em um outro blog que sigo.
E confesso que A-D-O-R-E-I...
Seus texto são muito legais.
Também tenho um cantinho em que espalho minhas ideias, minha bagunça...desde já te convido a conhecer.
Mil beijos
Barbara