
Ato XI – Rumo ao Abismo da Solidão
Há momentos em que penso: qual o significado de andar léguas titubeando na ignorância da pretensão? Se a falsa modéstia conduz o homem ao abismo da solidão.
Envolto em teias construídas por verdades paradoxais, ambigüidades polifônicas sobressaltadas por “PIS” de código Morse, descubro a inutilidade do observar. Observar o que não é óbvio para todos resulta num surto lunático, salve George Méliès!
Sussurros de uma senhorita ao lado do consultório de Pacheco desviaram a atenção do meu “autismo” para o real. Furtivamente colei meus ouvidos no mármore:
- Ele não pode mais permanecer sob seus cuidados Dr., estive analisando as atitudes do paciente... Seus olhos enxergam além do perímetro medíocre social…
Seus dedos tocam além da epiderme carnal…
Seus ouvidos captam sinais além dos radares ditos em termo passional…
Sua narina absorve e distingue além dos exales do marginal…
Sua língua degusta além do gusto convencional.
Como se envolta por nitrogênio liquido, minha mente ficara inerte, as sinapses nervosas dentro de minha cachola pararam em uma fração de segundos. Por mais narcisista que fosse encarei como insultos, não demoraria muito, abriram a porta e recebi de presente uma alvejante jacket.
Dois dias antes desse sorrateiro episódio Afrânio e eu havíamos voltado da excursão a la toilette zone. Mal chegamos à cidade entreguei os relatórios, escrevi os memorandos, protocolei com Epaminondas e entreguei nas mãos de Pacheco. Afinal o que fiz de errado? Indago ao doutor que emudece o olhar e fita os de Perfídia, a tal senhorita da saleta ao lado.




