domingo, 12 de abril de 2009

O Pecado Mora ao Lado


Ato VI – Olho mágico


Abri uma das pálpebras como num automático hipnótico, ao ouvir os passos no corredor, aquele caminhar ardente em tom de escárnio. Hoje ela veio mais cedo do que de costume, Joana filha do turco Onofre, o velho do 303, que inveja deste senil, quem me dera tivesse aquelas mãos rosadas sob meus pés. Já passam das doze! Tenho que trocar as pilhas desta porcaria.

A senhorita aparenta uns vinte e sete, cabelos de fogo, sardas, hum... Sardas, desenhando sua esguia back-peach. Imagino que tenha os olhos flamejantes, não, verde-caribe, não, não azul-noronha. Nunca olhei seu rosto, há quatorze a observo do olho mágico. Lembro-me da primeira vez, seu walkman havia caído em fronte a minha porta, quando abri, sua face estava abaixada. Era uma menina muito engraçada, não tinha busto, não tinha nada.

Chuva! Bendita chuva daquele oito de novembro de noventa e nove, ela chegou as seis toda ensopada, quando vi aqueles que seriam os pés mais lindos já vistos pelo homem, cada dedinho secado por aquele perfumado echarpe mostarda.

Espero que chova na próxima semana, ela apenas visita o velho aos sábados, e no dia de todos os Santos, quando vão prestar salvas a dona Elasia, que por ironia faleceu neste corredor em frente a esta porta encardida, preciso comprar óleo de maquina, as dobradiças estão rangendo mais que meus dentes.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Lar, Doce Lar

Ato V - "Rua dos loucos, número zero."

Como é bom sentir-se seguro, mesmo que habitando um ninho de mafagafos, não agüentava mais minhas meias suadas. Preciso de um bom banho!... Edith onde diabos colocaste minha toalha? Minha secretaria não aparece há dias, o que mais parecem anos! Devia ter seguido o conselho da velha Elvira : “ meu filho depois dos trinta, homem que vive só, estará fadado ao cárcere da sujeira.”
Nada que uma boa conversa com meu amigo José para apaziguar a mente, tenho que entregar o relatório ao Pacheco, certo, conseguirei uma semana de atraso, mas há exatos nove dias não dou com as caras, desde aquela esbórnia. O velho me deve, ah se me deve!
Depois de 47 minutos o mexicano me deixou no ultimo gole, nada mais deprimente que ficar half-drunk e não ter uma alma viva para externar suas filosofias baratas. Será que não existe alguma destas baboseiras tipo A.N.A (Associação dos Notívagos Anônimos)? Que merda! Deprimente, ridículo, inadmissível, vou amassar três comprimidos de Lithium e dar o ultimo gole naquele dois quartos de Evian, abraçar Jude, my pillow, e torcer para que Mr. Sandman venha logo.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

A Ressaca

Ato IV – Ambíguo Amigo Umbigo (fim da festa)

Como se não bastasse minha acidez estomacal, pois sofro de um mal por ser A.S., fui arrastado ao picadeiro, o circo estava formado. Pacheco de alerquin conquistava o coração das columbinas e das enrustidas drag queens, todos estavam em circulo, e eu adentrando a zona de perigo fui recebido com vários dedos apontados pro meu umbigo.
Não pude evitar tamanha asneira, porem me neguei a tirar a camisa, fui a esta merda apenas para não fazer desfeita ao Dr. Todos pareciam drogados no ópio da massagem do ego, segurei um imenso jubilo quando Epaminondas, um dos sócios de Pacheco, sentado ao meu lado, e seu ridículo abdômen de D. Rivera estava sendo acariciado por uma criatura que possuía um asqueroso umbigo que mais parecia de uma vaca!
Aproveitando o ensejo, me dirigi a Pacheco com a desculpa da minha maravilhosa enchaqueca, o velho não pode negar, bati meu ponto, agarrei meu paletó e dei no pé.

A Festa

Ato III – Ambíguo Amigo Umbigo (parte 2)

Levantei da cadeira em supetão, corri ao banheiro, aquela merda de convite me deu um baita desarranjo intestinal! Dou uma corrida no jornal caído em fronte a patente (este exercício alivia a dor), vou ter que concordar com Vossa Exc. “a culpa de tudo isso, são dos caras brancos de olhos azuis”.
Maldito Pacheco, se não fosse doutor, eu não hesitaria em dar lhe uns bons tabefes.Onde já se viu me mandar aquele cartão, para mais uma de suas palestras de auto-ajuda. O pior de tudo, não poderia faltar, estou em exercício para o preparo da próxima bomba.
Chegando à paróquia fiz questão de sentar na ultima fileira, aquela do canto, o banco de camursa bege próximo a saída. Para variar dois sujeitos, mais estranhos impossível, sentaram ao meu lado, pareciam duas galinhas da angola, oh bando de loosers vão a merda! Pacheco como sempre, se sentia Zeus perante aos reles mortais, esplanando, ou melhor doutrinando as criaturas com sua mais nova baboseira.
Seus quarenta e cinco minutos, mais pareciam uma quaresma, ao termino, minha bunda estava mais chata que palmatória de maestro. A cada tópico explicado o Dr. Apontava alguém da platéia como um exemplo, parecia que todos conheciam uns aos outros, seus almejos, suas neuras, e eu me sentindo a La Jack em "um estranho no ninho".
Tirei uma pestana, e despertei com um dedo me cutucando a face, era Afrânio assistente de Pacheco, me intimando a subir ao palco para participar da Festinha.

O Convite

Ato II – Ambíguo Amigo Umbigo (parte 1)

Ao chegar em casa por volta das 19h45min, encontrei um envelope vermelho sangue, enroscado na grade enferrujada do portão. – Puta que pariu! (pensei em voz alta) mais uma propaganda. Joguei o maldito em cima dos demais que estavam empilhados ao lado da ultima garrafa “quase vazia” de J.D.
Passando a mão direita no bolso esquerdo do jaleco tirei meu ultimo cigarro “semi-amassando”, - Que merda tenho que parar de fumar! Trinta de aumento, vou ter que pedir exílio ao Paraguai. Tomei o ultimo gole, a pouco, o cartão vermelho grudou no fundo da garrafa, não resisti, abri.

*Antes de continuar lendo o que vira logo abaixo, aviso que qualquer alusão à pornografia será erronia, pois como diria Sylvio Back “depois que criaram o fescenino tudo ficou mais fácil.” (dica do autor)

“Tu estas disposto a participar de uma experiência nunca antes sugerida, e que não feriria tua moral, ética e sexualidade?
Existe um exótico orifício em seu corpo que aparentemente não serve para nada, porem sem a utilização árdua deste em sua vida fetal, tu não existiria.
Usamos e abusamos de diversas coisas em nossa vida, e quando damos por satisfeitos descartamos e por vezes esquecemos-nos de dar a devida importância a estes que nos foram tão úteis, e poderiam continuar sendo ate o dobrar dos sinos.
Vamos, don’t be fool , pegue então seu dedo médio da mão esquerda, mergulhe-o sobre sua língua e insira-o em movimentos circulares em seu esquecido ambíguo amigo umbigo.
Logo começará a sentir cócegas, e aos poucos um imenso prazer quase que orgasmático.
Seria então um ato sexual antropofágico? Seu pênis seria um mero órgão coadjuvante, a vagina almejada seria em fim descartada?
Talvez pareça o cúmulo do egoísmo, ou um tipo de masturbação a La New Age.
Estando ciente desta descoberta, aproveite bem! E se um dia enjoar ou der câimbra em seu dedo, talvez possamos compartilhar um o do outro. Afinal de contas somos amigos, e temos umbigos, e sem dúvida isto não seria um ato sexual.”