quarta-feira, 13 de maio de 2009

Festa de Família


Ato VII – O Tic-Tac Parou (parte 1)

“A pretensão me degrada, a humildade me deprime, e assim a vida é lesada, ora é virtude, ora é crime.” (F. Gullar)

Exatos um mês longe de meus mofos, tento acalmar os nervos empíricos de Gutierrez com cinco long necks de ruiva Devassa.
Emmanuele vinte e três anos internada em cárcere publico, escrava de seus capiciosos vícios sexuais, segundo velha Elvira, o primeiro gesto freudiano de referencia a “lesbus”, que cometera a menina, se dera quando seus dedinhos recém nascidos massagearam o clitóris da mãe (literalmente). Em meio ao velório ( a la “Festa de Família” – Thomas Vinterberg) não pouparam elogios a pobre garota, todo velório é igual, todos simpáticos, porem nem tanto, fingem umas lágrimas aqui outra ali, ate a chegada do irmão bêbado da extirpada defunta.
Não tive culpa, fui avisado às pressas por David (o outro irmão), há anos não dava as caras na casa dos horrores. Maldita segunda-feira 13! A pouco havia saído do consultório de Pacheco, pusera eu os pés no corredor de minha sala ouço berros de Edith – Senhor! David acabou de ligar, sua irmã morreu! – (confesso que a noticia me gelara toda a espinha dorsal). Tudo bem, nunca fui próximo de Emmanuele, quisera eu ter dito verdades a toda família hipócrita, e esta era minha oportunidade, odeio jargões, mas se me jogaram o limão o mínimo que pude fazer foi uma grande limonada (literalmente, com ajuda de Cuervo, é claro!).
Pedi a Pacheco que me mandasse um veiculo (não pego aviões). Afrânio guiara o Galaxy 59, ate a chegada ao covil dos Gutierrez (oito horas pela hightway) minha companhia fora dois e três quartos de Joses. O circo já estava armado, a mesa posta, Dr. Adolpho (o pai) exibira como sempre seus dons da retórica em uma das pontas, na outra velha Elvira resmungando pelo ultimo adeus não dado, David, seus cinco filhos bastardos e sua ex-mulher do lado direito, e do outro a ala senil dos maracujás (pior impossível).
A pouca dose de sangue no álcool me permitiu vomitar sujas verdades, acabando com “o triste fim de policarpo quaresma” – quer romance mexicano? Convide Paul Leduc para a festa! -.

Um comentário:

  1. Ae!!! o/
    Até que enfim o Mr. Lucky voltou pra nos contar suas estorietas!
    E que ótima ficou essa!
    Só espero que ele não se afogue em nenhuma ruiva devassa e se esqueça de seus leitores novamente =)

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